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Análise – Forza Horizon 3

Forza Horizon 3

Forza Horizon 3
9.8

Conceito

9.3/10

Gráficos

10.0/10

Jogabilidade

10.0/10

Ambientação

9.5/10

Sonorização

10.0/10

Pros

  • Jogabilidade fenomenal
  • Gráficos de alta qualidade
  • Grande variação de ambientes
  • Veículos com alto grau de fidelidade
  • Trilha e efeitos sonoros magníficos

Cons

  • Mesmo que conceitual, a campanha ainda é muito superficial
  • Ambientação urbana deixa a desejar

O que Forza Horizon 3 representou para os games de corrida não é nenhuma novidade. Além de ter sido um sucesso de vendas, ser muito bem aclamado pela crítica, e finalizar 2016 vencendo o prêmio de melhor jogo de esportes/corrida do ano, a Playground Games e a Turn 10 Studios mais uma vez deram uma aula de desenvolvimento de jogos de corrida, mesclando um grande número de elementos de uma forma harmoniosa, criativa, e acima de tudo, divertida.

Jogos de corrida infelizmente não tem sido o grande destaque dos grandes desenvolvedores nesses últimos anos. Muitas empresas, ainda na geração do Xbox 360 e PS3, tentaram adentrar no gênero, mas infelizmente não conseguiram o resultado glorioso dos clássicos Need For Speed, Gran Turismo e até Midnight Club. E esse fator, provavelmente, foi um dos pontos cruciais do destaque da saga Forza atualmente, que desde o lançamento do Xbox One, vem dando uma cara nova e criando possíveis tendências a serem seguidas em jogos desse tipo. Para mais detalhes, confira nossa análise.

1 – Apresentação

1.1 – Conceito

Como já é de costume do segmento Horizon, o jogo não possui um enredo detalhado, com personagens de destaques e trama elaborada, apenas um pequeno conceito do porquê daqueles acontecimentos. O game deixa bem claro esses aspectos, por isso o conceito do game será avaliado não com a rigidez característica de campanhas bem elaboradas, e sim com o quão aceitável e estruturado é esse conceito.

Segundo o universo do jogo, há um grandioso festival que acontece em vários lugares do mundo chamado Festival Horizon, que nada mais é do que a combinação de música, festa, e é claro, grandes corridas e exibições de carros. Em Forza Horizon 3, somos o grande líder desse festival, que dessa vez acontecerá nas belíssimas paisagens da Austrália. Sua função é simplesmente transformar o festival no “maior Festival Horizon da história”, e como fazer isso? Simples, ganhando corridas, campeonatos, e realizando os mais variados desafios presentes no local (mais informações a seguir).

Logo de cara, escolhemos um personagem em uma lista pré-selecionada para ser o nosso representante. Independente da escolha, o seu personagem não terá falas durante o decorrer do game, somente será visto dentro dos veículos e em algumas pequenas animações programadas no decorrer do jogo. Logo depois, você também pode escolher um nome dentre os de outra lista pré-definida, que será como a sua assistente de navegação te chamará em determinados trechos do jogo. A lista é bem grande, contendo um número bem variado de nomes e apelidos a serem escolhidos (inclusive em português), o que deixa a experiência ainda mais divertida.

Novamente, tudo basicamente se trata de um conceito, e mesmo assim esse está longe de ser o enfoque do game. Contudo, por mais que a simplicidade dessa explicação superficial possa parecer desestimulante, tudo é muito bem organizado e explicado, transformado a simplicidade em algo muito divertido e agradável, transformando algo que serviria apenas de fachada em peça fundamental do sucesso do jogo, mas mesmo assim deixa a sensação de que falta alguma coisa.

1.2 – Mapa e objetivos

O mapa do jogo é bastante grande e variado (como será explicado posteriormente). Assim, cada ponto apresenta séries de corridas e eventos específicos. Cada local desse é representado por um “local do festival”, que se tratam de 4 pontos específicos no mapa que representa o ponto de encontro central da região, e é lá que temos acesso às garagens, onde podemos gerenciar nossos veículos e comprar novos.

Cada região dos locais de festivais é representada por uma cor, e apresenta corridas específicas daquela localidade. A medida que ganhamos níveis, esses locais podem passar por upgrades, melhorando não só o visual como também gerando novas corridas e desafios a serem cumpridos. A cada corrida ou desafio cumprido, aumenta uma barra que representa a quantidade de fãs. Ao chegar em 10 milhões de fãs é considerado que você finalizou o jogo, mas mesmo depois disso ainda há uma infinidade de coisas a se fazer.

2 – Carros

Aqui é um dos principais destaques de Forza Horizon 3. Como também é de costume da saga desde o início dessa geração, cada Forza tem um superesportivo que recebe um destaque um pouco maior nas propagandas do jogo (em Forza Motorsport 5 tivemos a McLaren P1, e em Motorsport 6, o Ford GT). Dessa vez, os desenvolvedores resolveram prestigiar a belíssima Lamborghini Centenario, cujo visual dispensa comentários.

Na imagem: Lamborghini Centenário

Citar todos os 350 carros presentes no lançamento game (fora advindos de DLCs) é quase impossível, mas resumindo, as fabricantes presentes são:

Imagem: forzamotorsport.net

Como é de se notar, a lista é dividida nas mais variadas categorias; de carros clássicos a superesportivos; dos mais novos lançamentos do mercado a raridades; de SUVs a Buggys; de off roads até vans; agradando todo o tipo de amante de automóveis. Todos os veículos têm fidelidade visual tanto no exterior quanto no interior, e também sonora, mantendo preservados todos os mínimos detalhes e tornando-os disponíveis para visualização.

A marca Porsche (infelizmente) não está no catálogo do jogo, isso porque a EA Games é a detentora dos direitos de imagem dos carros da marca. Contudo, acordos entre a Microsoft e a EA já ocorreram para Forza Motorsport 6, e o jogo pôde explorar os modelos. Tudo indica que o mesmo acontecerá com Horizon 3, quanto a isso, resta esperar, pois certamente todo jogador está animado com a possibilidade.

Há também os “carros abandonados”, que se tratam de veículos que podem ser encontrados em galpões em pontos específicos do mapa. Quando a informação de um carro abandonado aparece, temos que ir em um local do mapa representado por um círculo roxo, e procurar nessa área o galpão com o veículo. A maioria deles não apresentam uma grande potência, mas por se tratarem de clássicos (sendo alguns exclusivos da Austrália) é sempre legal ter eles na garagem. O que incomoda algumas vezes é a dificuldade para achar esses galpões, que podem estar escondidos em florestas densas ou locais de difícil visualização, forçando o jogador a ficar dezenas de minutos procurando-os em algumas situações.

2.1 – Personalização

A personalização, como de costume, é realizada de maneira bem simplificada. Além de obviamente mudarmos a cor do veículo e de alguns componentes (roda, retrovisores), a adesivagem também está presente. Os designs podem ser feitos através de variadas formas pré-definidas, alterando o tamanho, a cor, a inclinação, entre outros, formando uma camada. A partir de aí, podemos mesclar variadas camadas, criando desde simples designs até desenhos complexos, tornando possível aos criadores explorar ao máximo sua criatividade  e criar modelos únicos.

Além disso, é possível fazer upload de seus designs para que outros jogadores possam usufruir, e também, caso você não esteja interessado na ferramenta, poder simplesmente escolher modelos criados por outros jogadores. Há também a escolha de rodas, aerofólios, e até kits de carroceria (body kits), que influenciam diretamente na performance de seu carro, alternando não só o visual.

2.2 – Tuning

Outro ponto que agradou muito os jogadores “hardcore” do gênero, e que particularmente, considero ser a parte mais complexa do jogo. Diferente de Forza Motorsport, o seguimento Horizon não apresenta opções tão complexas de modificações diretas no veículo, simplesmente pelo fato de que o propósito do jogo não é ser um simulador.

Mesmo assim, várias opções são apresentadas, como alteração do motor (principalmente em clássicos), alterações de calibragem de pneus, amortecimento, rotação para trocas de marchas (no câmbio automático), e afins. De modo geral, essas alterações mudam o controle, a velocidade de arranque, a velocidade máxima, a aceleração, entre outros, lembrando que alguns desses fatores também alteram a dificuldade.

Tudo isso pode ajudar ainda mais o jogador a criar um vínculo ainda maior com o carro, já que ele pode alterar seu funcionamento para criar um veículo que combine perfeitamente com seu estilo de jogo ou com seu gosto pessoal. Para os jogadores que não entendem ou não se interessam em aprofundar nos detalhes, o jogo oferece a opção de upgrade pré-definidos, com os melhores equipamentos selecionados pelo próprio sistema para cada classe. Os carros são definidos em classe D, C, B, A, S1, S2 e X.

3 – Gameplay

3.1 – Jogabilidade

Aqui é outro ponto de consagração para Forza. Não é novidade alguma a qualidade da jogabilidade do game em cada linha de aspecto. Cada veículo tem suas particularidades, variando de direção, frenagem e arranque, e mesmo não sendo um simulador, temos que ficar atentos a diversas situações, como acelerações e frenagens bruscas (também variando de carro para carro), diminuição da velocidade antes das curvas, adaptação ao terreno, dentre outros detalhes que pode pegar um jogador sem muita experiência de surpresa. Em relação ao posicionamento de câmeras temos várias opções, todas muito comuns em jogos do tipo, com visões em primeira e terceira pessoa.

E por falar em adaptação ao terreno, tudo está mais bem feito do que nunca. Aquaplanagem em poças d’água, direção sobre lagos rasos, frenagens bruscas em terrenos arenosos e a dirigibilidade em outros terrenos off road estão muito bem aplicadas, desafiando o jogador a se adaptar ainda mais nessas situações para conseguir um desempenho melhor durante as corridas, tornando a experiência ainda mais completa.

3.2 – Dificuldade

Qualquer jogador comum que se deparar com a primeira experiência de dirigir no game não encontrará nenhuma dificuldade devido aos “auxílios” do jogo. Contudo, isso pode ser drasticamente mudado. Em suas últimas versões, a saga vem se destacando por possibilitar que todos os tipos de jogadores de corrida se sintam confortáveis jogando, seja de maneira arcade, próxima a uma simulação, ou um meio termo. Isso é regulado por meio de diversas assistências pré-estabelecidas no jogo, como controles de tração e estabilidade, câmbio manual ou automático, traçados na pista, freios ABS, entre outros, em que é possível desabilitar totalmente ou parcialmente algumas dessas configurações.

Em relação aos demais corredores, Forza tem uma tecnologia exclusiva chamada Drivatars, em que simula a maneira de correr de outros jogadores e aplica nas suas corridas, enquanto ao mesmo tempo está avaliando sua maneira de correr para aplicar em corridas de outros jogadores. A dificuldade dos Drivatars também é regulável, tornando tudo ainda mais flexível. Quanto menos auxílios ativados, e quanto maior a dificuldade escolhida, o jogo vai aumentar ainda mais sua recompensa no final de cada corrida, servindo como incentivo para maiores desafios.

3.3 – Corridas e eventos

As opções de corridas são bem amplas, e quem gosta de jogos de corrida arcade, provavelmente adora essa parte. São inúmeras possibilidades de correr no universo de Forza Horizon, variando de circuitos, corridas de um ponto a outro e campeonatos. Corremos em terrenos off road, na cidade e em terrenos mistos, e com os mais variados carros. Mas há também corridas em que podemos usar somente carros específicos, seja de marcas ou categorias específicas, como Ferrari x Lamborghini, Mercedes x BMW, somente carros da Ford, somente carros clássicos, e outras combinações. Há também corridas de rua clandestinas, onde ao realizar alguma série podemos disputar contra um corredor específico valendo o carro dele, essas que são muito divertidas.

Outras das formas de ganhar fãs é com os “desafios da lista de metas”, que se tratam de desafios de velocidade, tempo, drift, e saltos, cada um deles com veículos específicos, o que gera uma variação de jogabilidade os tornando divertidamente desafiadores.

E por último, um dos pontos mais interessantes do jogo, os “Eventos de Exibição”. Neles teremos que lidar com situações nada convencionais de corrida, como correr contra um trem, um helicóptero carregando um Jeep, entre outros. Esses eventos também só podem ser realizados com veículos específicos, e infelizmente são somente 5 no decorrer do jogo, mas não deixam de ser marcantes.

4 – Gráficos e ambientação

4.1 – Gráficos

Outro fator de qualidade indiscutível. Jogos de corrida na geração atual de consoles estão se tornando referências em efeitos gráficos tanto de veículos quanto de paisagens, e essas qualidades também estão presentes em Horizon 3. Além do alto grau de fotorrealismo nos veículos, com efeitos que reagem diferentemente em luz solar ou artificial, a junção com outros elementos do cenário como sombra e sobreposição de luz em folhas de árvores ficou deslumbrante.

Mas o destaque mais curioso do game não é no chão… mas no céu. Usando uma tecnologia bem avançada, os designers do jogo mapearam todo o céu da Austrália e reproduziram com fidelidade as nuvens, estrelas, sol e lua do país no game. O resultado fala por si só.

4.2 – Ambientação

A ambientação do jogo é bastante variada. Contendo florestas densas, dunas de areias, estradas de terra, alguns trechos de rios e lagos, ambiente urbano, rodovias, cavernas com bioluminescência (belíssimas), entre outros. Como um todo, a ambientação é bem harmônica com os elementos do cenário, mas é visível a qualidade menor de ambientes urbanos. Entretanto, por ser um mapa muito vasto e a cidade é a menor parte do todo, é perceptível que esse não era o foco dos desenvolvedores.

Todas as ruas estão sempre com um número relevante de veículos de NPC’s. Já se tratando dos NPC’s em si, as calçadas do jogo sempre se encontram vazias, com pessoas somente em locais inacessíveis ou em cutscenes, obviamente para impedir o jogador de sair atropelando pedestres e causar problemas desnecessários para empresa.

5 – Sonorização

5.1 – Rádios

A trilha sonora do jogo é composta basicamente por rádios. A medida em que progredimos, temos a opção de desbloquear novas opções de rádio, que transmitem músicas de gêneros específicos, todas muito boas. Mas o interessante não é só as músicas, os locutores interagem diretamente com os acontecimentos do universo do game, comentando sobre a grandeza do festival e sobre o quanto ele se expande, além de comentar sobre seus feitos como líder do festival e dar até dicas sobre eventos e sobre os carros abandonados.

Curiosamente, não são todos os radialistas que têm uma visão positiva do evento. Em uma das rádios com enfoque em músicas clássicas, o locutor faz críticas interessantes e divertidas sobre os acontecimentos e o festival, dando um ponto de vista inusitado sobre as coisas.

5.2 – Efeitos sonoros

Quanto a isso não há muito o que se discutir. Os carros tem os sons reais, esses que podem variar de acordo com o motor, sons de frenagem, barulhos aleatórios das corridas e do ambiente. Nesse tópico, definitivamente não há pontos negativos.

6 – Multiplayer

Com um multiplayer também muito padrão, Forza optou por elementos bem simples e mesmo assim completo, onde podemos reunir grupos de amigos para corridas, criar desafios para outros jogadores e também aceitar desafios alheios, e realizar encontros ou passeios livres com seus amigos com o simples intuito de se divertirem.

7 – Considerações finais

Forza Horizon 3 indiscutivelmente é o que há de melhor em jogos de corrida arcade dessa geração. Com elementos harmônicos e muito bem balanceados, o game se mostrou bastante divertido e uma experiência diferenciada para amantes de jogos do tipo. Horizon 3 não é focado na narrativa, e preza mais pela experiência de direção e adrenalina como um todo, sendo uma excelente opção de compra. O game foi lançado para Xbox One e PC, e apresenta versões com conteúdos adicionais. Além disso, já teve sua primeira expansão lançada, que trará um novo local inspirado na direção em montanhas e neve. Para mais artigos, análises, e informações sobre o mundo dos games, acompanhe a GCB Games.