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Análise – Steep

Steep

Steep
6.6

Conceito

5/10

    Jogabilidade

    7/10

      Multiplayer

      8/10

        Gráficos

        8/10

          Ambientação

          5/10

            Pros

            • Divertido
            • Algo novo em games de esportes
            • Bom multiplayer
            • Boa jogabilidade

            Cons

            • Mundo aberto mal elaborado
            • Repetitivo
            • Limitado
            • Tende a ser enjoativo

            Por razões óbvias, games de esportes radicais na neve não são populares no brasil. Como é de conhecimento de muitos, esses esportes podem ser considerados os mais perigosos existentes, tanto que durante a captura de imagens para o jogo, tivemos o caso do acidente de uma esquiadora que acabou falecendo. No final da conferência da Ubisoft na E3 de 2016, a empresa apresentou uma espécie de trailer do game, surgindo de maneira inesperada e despertando a curiosidade de alguns. Mas o que podemos esperar do jogo? Confira nossa análise.

            1 – Conceito

            Steep não apresenta uma campanha, apenas um micro conceito, lembrando que seu enfoque é a jogabilidade e o multiplayer. Tudo se baseia em sermos um atleta de múltiplos esportes na neve (esqui, paragliding, snowboard e paraquedismo com wingsuit), e que aparentemente trabalha para uma gravadora de vídeos de esportes radicais. Nossa função é realizar diversos desafios da região e nos consagrar um grande atleta, simples assim. Sobre a localização, algumas informações de cutscenes indicam que estamos nos alpes suíços, em uma tentativa não tão boa de experiência mundo aberto (mais detalhes sobre o mapa no decorrer da análise).

            O jogo funciona com um sistema de medalhas (ouro, prata e bronze, de acordo com nosso desempenho), em que cada desafio tem objetivos específicos, como desafios de tempo e manobras, e a partir de aí temos um rank com certa pontuação a ser batida para receber cada uma dessas medalhas. A medida que progredimos, ganhamos níveis, e com níveis novos desafios são desbloqueados, e alguns desses são desafios de patrocinadores do jogo como Red Bull e Salomon, que no universo do game também são seus patrocinadores.

            Um problema sério e constante no jogo são bugs. Ficar travado dentro de montanhas, não conseguir parar suas pranchas de snowboard ou esqui e ficar deslizando a ponto de ter que reiniciar todo o progresso pode ser bem frustrante, além de, em alguns casos, prejudicarem severamente o gameplay.

            Vale ressaltar que podemos escolher entre alguns personagens, variando no geral somente o sexo, e também podemos aplicar uma customização também conceitual, modificando cor das roupas, capacete, paraquedas, entre outros, modificando somente o visual.

            Adiantando o que vai ser dito nas considerações finais, o jogo tenta trazer uma experiência completamente nova no gênero de esportes. Trabalhando em uma área dos esportes pouco explorada, Steep vem com o intuito de agradar um público alvo específico, e chamar a atenção de quem não acha esse estilo relevante, dando enfoque na jogabilidade e na experiência multijogador. Outro detalhe de destaque são os replays de nossa performance, que podem ser salvos e compartilhados com outros jogadores. O problema é que deram um destaque grande demais para isso, e muitos jogadores simplesmente não se interessam nessa ferramenta.

            2 – Gameplay

            2.1 – Geral

            O jogo apresenta dois esportes terrestres (snowboard e esqui) e dois aéreos (paragliding e wingsuit). Cada um deles possui algumas peculiaridades, e no geral apresentam diversidade de movimentos…no geral. O game não objetiva ser um simulador, principalmente devido a diversas assistências nele presente. Assim como em um jogo de corrida, temos pontos de checagem que devemos passar sobre e desbloqueando o próximo, evitando assim que o jogador corte caminho, mas também há desafios onde temos que sair de um ponto a outro do mapa, e nós mesmos escolhemos a rota, sendo bem divertidos.

            Em quase todo momento podemos alterar para qualquer um dos esportes, optando também por andar a pé na neve, com seu personagem se movimentando lentamente devido aos vários centímetros de neve acima do chão.

            Os pré-requisitos para a realização dessas trocas de esportes são estar parado, e em localidades que propiciem essa troca. Obviamente, não é possível realizar pulos em locais planos, e em relação a ficarmos parados, nem sempre é tão simples quanto parece, pois mesmo quando damos esse comando, boa parte das vezes as pranchas continuam se movimentando devido ao terreno irregular, o que mesmo sendo realista, é frustrante.

            Vale lembrar que durante as disputas não há física aplicada entre nós e os demais corredores, isso é pelo fato de o espaço já ser bem limitado em algumas situações, então para evitar que choques entre os personagens prejudicasse a experiência, todos os outros competidores são “fantasmas”.

            2.2 – Esportes terrestres

            De snowboard e esqui, podemos deslizar sobre o gelo das montanhas, desviar de obstáculos, e realizar manobras. Em relação ao equilíbrio, temos uma barra branca que representa a Força G, que basicamente é a força com que nos chocamos em obstáculos, caímos de grandes altitudes ou passamos sobre locais que não contém neve – como pedras. Quando essa barra diminui, nosso personagem perde um pouco o equilíbrio, esse que pode ser restaurado, e a velocidade de restauração depende da velocidade do nosso personagem, quando estamos rápidos a restauração é mais lenta, e quando estamos lentos, mais rápida. Quando a barra de equilíbrio zera, caímos da prancha e perdemos alguns segundos da corrida, mas há situações de K.O., onde é obrigatório reiniciar o desafio

            Em desafios realizados com esses esportes, podemos optar pelo esqui, ou pelo snowboard, e esses dois apresentam grande similaridade, o que é um problema, pois a partir do momento que desenvolvemos afeição por um deles, fatalmente acabamos desprezando o outro.

            Em relação as manobras, tudo é muito simples, bastando pular e controlar os movimentos com os analógicos no caso dos consoles. É justamente aqui que a grande maioria das assistências é visível, já que durante a finalização das manobras o jogo força o personagem a completa-la de maneira correta.

            2.3 – Esportes aéreos

            De paragliding e wingsuit, no entanto, a jogabilidade muda consideravelmente entre si. Diferente dos esportes terrestres, os desafios dos aéreos são específicos para ambas as modalidades, ou seja, não podemos usar wingsuit em desafios de paragliding e vice verso. O gameplay desses esportes tendem a ser mais desafiadores, e com objetivos mais interessantes, e parte desse desafio está no fato de não tolerar erros, já que se você cair durante a “corrida”, terá que reiniciar tudo.

            VEJA TAMBÉM  Veja o trailer de lançamento de Subterrain

            Com o wingsuit, os desafios estão mais relacionados com tempo e pontuação. A pontuação é adquirida sobre o quanto você se arrisca, voando baixo, passando por entre buracos em rochas, entre outros. A barra de Força G, nesse caso, serve somente para indicar a força de sua queda ou batida, e curiosamente, em alguns desafios temos que realizar a queda com maior força possível. É possível saltar de balões, picos, e áreas específicas de salto. As assistências do wingsuit incomodam, pois em algumas situações tendem a “puxar” o personagem para baixo, fazendo os jogadores perderem o timing em várias situações, o que pode prejudicar severamente seu desempenho.

            Com o paragliding a dificuldade tende a aumentar consideravelmente. Primeiramente temos que prestar atenção no vento, esse que pode nos atrapalhar, fazendo ganhar altitudes e perder timings, entre outras coisas. Quando nos aproximamos das montanhas, o vento tende a ser forte para cima, e a medida que nos distanciamos, perdemos altitude. Também é possível fazer manobras, mas elas apresentam certa complexidade, e como a grande maioria dos desafios são envolvendo velocidade, dá a impressão que elas existem para melhorar nossa performance em curvas, e em outras situações do percurso.

            2.4 – Dificuldade

            A dificuldade varia de acordo com cada desafio. Esses desafios já são predefinidos nas categorias fácil, médio, ou difícil. O problema é que muitas dessas predefinições não são condizentes com a realidade, assim, temos muitos desafios considerados difíceis que conseguimos medalha de ouro de primeira, já outros considerados médios se mostram insanos. Claro que isso pode variar da habilidade e adaptação do jogador em cada caso, mas isso não serve de regra.

            3 – Gráficos e ambientação

            Graficamente falando, não temos nada de surpreendente, mas algumas animações de neblinas e efeitos luminosos chamam a atenção. A ambientação é bastante limitada, já que se trata somente de grandes áreas cobertas de neves em volta de montanhas, mas também há florestas com árvores característica desses locais e também vestígios de civilização.

            No decorrer de todo o cenário, temos pontos específicos não definidos no mapa no qual podemos explorar, criando novas zonas de salto e desbloqueando outros desafios. O interessante, é que muitos desses pontos são montanhas, e algumas delas apresentam uma narrativa épica com o narrador sendo a própria montanha, como se ela tivesse vida, e elas têm desafios exclusivos, alguns também muito divertidos. Há também balões para saltos de wingsuit, e de acordo que subimos de nível, novos locais também podem ser desbloqueados.

            O jogo é considerado mundo aberto na teoria, porque a experiência mundo aberto dele é simplesmente frustrante. Por estarmos rodeados de montanhas (ou seja, terrenos íngremes), o acesso a determinados locais é bem limitado, e isso misturado a impossibilidade de realizar subidas com as pranchas de snowboard ou esqui e a péssima jogabilidade quando optamos por somente andar, faz com que o jogador se seja obrigado a usar os fast travels em todo o momento, mesmo quando o objetivo não está longe dele. Além disso, como já disse anteriormente, “frear” as pranchas em certos locais é simplesmente impossível, tornando vários locais inacessíveis, difíceis e chatos de explorar, sem falar que não há grande variação de cenários que ainda possam estimular o jogador.

            4 – Multiplayer

            O multiplayer do jogo é bastante simples, mas muito funcional. Além de disputarmos corridas com nossos amigos on-line, podemos participar de grupos ou simplesmente explorarmos o local (o que provavelmente não será seu foco). Por isso, muito se diz sobre o jogo ter sido idealizado com a ideia principal para esse modo, já que mesmo jogos bastante limitados conseguem se manter em destaque durante anos pelo simples fato de que jogar com os amigos na imensa maioria das vezes será mais divertido do que jogar sozinho, e ao menos nessa linha de aspecto, há a ligeira esperança de uma sobrevida por mais algum tempo…tempo esse que já vai mostrando seus sinais com servidores incrivelmente vazios.

            5 – Sonorização

            Nada muito relevante para comentar, as músicas são tocadas principalmente no início de desafios, e todas elas são muito boas, mas aparentam ter um curto repertório, e apesar de serem boas, não chegam a ser um ponto que acrescentam tanto à trama. Na dublagem em português, é notável que houve reaproveitamento de vozes principalmente entre os personagens que podemos escolher, sendo toda idênticas.

            6 – Considerações finais

            Steep tentou inovar no tão saturado gênero de games de esporte. Trazendo uma experiência simples e com enfoque no multiplayer, alguns jogadores podem acha-lo extremamente enjoativo ou cansativo, outros podem até gostar, mas abandonar o game depois de um certo tempo por não jogarem on-line, e outros podem ainda podem tirar grande proveito da experiência multiplayer dele.

            O que acontece, é que quando jogamos o game, não temos grandes expectativas de que o jogo vai crescer ainda mais e trazer coisas inéditas, e esse calmaria pode ser fatal para seu esquecimento, perdendo cada vez mais jogadores. Assim, na tentativa de agradar os fãs desses esportes pode ser uma boa pedida, mas por outro lado quando tenta chamar a atenção de novas pessoas, pode acabar sendo desinteressante.

            Além disso, o grande destaque dado para gravação de clips, prints e vídeos aparentou ter sido um fiasco, já que muitos jogadores estão interessados apenas em jogar, e não necessariamente salvar e compartilhar trechos dele.

            Mas o jogo vale a pena? Bom, essa análise buscou relevar os pontos mais importantes e que podem ser cruciais na decisão se vale ou não comprar. A questão é que o lançamento do jogo é recente, e possíveis reduções de preço em promoções futuras podem trazer um valor mais acessível, e tornar a experiência menos cara, valendo a pena dar uma chance ao game.

            Steep está disponível para PC, PS4 e Xbox One. Para mais análises, artigos e notícias, acompanhe a GCB Games, e para ter acesso a esse conteúdo em tempo real, acompanhe nossa página no Facebook.

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