Browse By

Análise – Call of Duty: Infinite Warfare

Call of Duty: Infinite Warfare

Call of Duty: Infinite Warfare
8.7

História

9/10

    Jogabilidade

    9/10

      Design

      8/10

        Apresentação

        9/10

          Equalizador

          9/10

            Pros

            • Campanha fantástica
            • Elenco de personagens memorável
            • Multiplayer e modo Zombies divertidos
            • Espetáculo visual

            Cons

            • Vilão esquecível
            • Multiplayer

            Por: Luigi Wagner

            Do ápice da fama aos gritos de ódio de uma minoria vocálica, Call of Duty consegue a proeza de se manter como um dos maiores lançamentos de todos os anos, mesmo sustentando com persistência uma política de lançamento anual que já dura mais de uma década.

            Com a marca de uma nova onda de sucesso iniciada no formidável Call of Duty 4: Modern Warfare em 2007, ao introduzir a franquia à “guerra moderna”, Call of Duty conquistou grande parte de seu público que se mantem fiel até hoje.

            Com o sucesso estrondoso do jogo, não foi surpresa ver a Activision insistir em expandir a série por anos a fio – mas que esta “grandiosidade” tenha conseguido se manter tão inabalável pelo tempo que tem se firmado, é, no mínimo, um tanto impressionante.

            Apesar disso, com tanto tempo no mercado, é razoável reconhecer que a franquia exala, mesmo que de forma relativa, um certo senso de fadiga.

            Pelas mãos da Infinity Ward (criadora da franquia Modern Warfare), com a maior aproximação futurística na série até hoje, o quanto de personalidade Infinite Warfare possui afim de justificar mais um Call of Duty em pleno 2016?

            HISTÓRIA

            Em um futuro distante, depois da Terra ter sido essencialmente despojada de seus recursos naturais devido ao crescimento populacional e a expansão industrial, as nações do planeta se mobilizam em prol de um programa global para lidar com a colonização de novos planetas no Sistema Solar.

            Estabelecendo postos ao longo de vários planetas, tais colônias de exploração servem como importantes fornecedores de recursos buscados pelas companhias da Terra – no processo atraindo também uma gama de militantes radicais que visam a tomada do controle de tais postes.

            Dentre estes grupos terroristas, um em particular denominado de SDF (Frente de Defesa de Assentamentos) surge provando-se uma das maiores ameaças ao sistema de exploração e à própria população de nosso planeta. Liderado pelo almirante Salen Kotch (Kit Harington), o grupo pretende se separar completamente da “raça humana”, tomando controle das estações terráqueas no sistema solar por se julgar uma entidade superior aos seres humanos.

            Para combater tal ameaça, a associação conhecida como SATO (Organização de Trato Associado) é acionada.

            Com o comandante Nick Reys (Brian Bloom) liderando uma das principais tropas na nave de guerra Retribution, a organização tem como objetivo acabar com todos os esforços da SDF de domínio na Terra e nos outros planetas do Sistema Solar.

            Situando-se no contexto ficcional mais distante já habitado pela franquia até hoje, é admirável que Call of Duty: Infinite Warfare consiga ser também aquele que é o título com maior ressonância dramática na série.

            Abandonando o núcleo narrativo superficial de “bros” tão preservado pela série ao longo dos últimos jogos, Infinite Warfare decide concentrar-se em uma história que procura focar em seus protagonistas e o peso de suas relações no contexto da guerra.

            Escrito por Taylor Kurosaki (ex-Naughty Dog) ao lado de Brian Bloom (que também vive o protagonista), o roteiro do jogo consegue com eficácia estabelecer grande parte de seus personagens centrais de forma surpreendentemente destacável, de maneira que tais indivíduos não se “misturem” em meio aos uniformes como meras faces alheias, mas sim como pessoas que conferem a trama o peso dramático que esta requer, diversificando também a áurea de personalidade do esquadrão principal comandado pelo comandante Reys.

            Além de Reys, que é vivido com competente intensidade por Brian Bloom, acompanhamos o desenrolar da trama também ao lado da tenente Nora Salter (Jamie Gray Hyder), do general Usef Omar (David Harewood), do robô “experimental” E3N Ethan (Jeffrey Nordling) além de outros soldados que ao longo da história se mostram serem mais do que simples “figuras de fundo”.

            Salter, uma das presenças de maior força ao longo de Infinite Warfare, consegue fornecer um interessante contraponto a Reys, existindo uma sútil (e ocasionalmente evidente) rivalidade entre ambos, mas que é sempre deixada de lado quando o companheirismo exigido pelos desgastes da guerra é requerido (valem aplausos também ao roteiro por não sucumbir à decisão fácil de resumir o relacionamento entre Reys e Salt a um “romancezinho” barato). Do outro lado, o divertidíssimo robô Ethan oferece um alívio cômico não só necessário, mas extremamente eficaz em passagens ocasionais da história (e muito deste sucesso se deve também ao timing cômico e à entrega das falas pelo ator Jeffrey Nordling), mas que em momentos em que trama requer um teor emocional mais pesado, consegue ser igualmente comovente.

            Com uma ponta fraca apenas por parte do vilão vivido por Kit Harington (mais conhecido por sua interpretação de Jon Snow em Game of Thrones), que não tem nem a complexidade de vilões anteriores da série ou a presença de Kevin Spacey – ficando a impressão de que poderia ter sido interpretado por qualquer outro indivíduo – Infinite Warfare acerta na grande maioria de suas outras empreitadas narrativas, mantendo a essência do espetáculo das campanhas de Call of Duty, mas ao mesmo tempo reconhecendo que o estabelecimento de seus protagonistas é, no mínimo, igualmente importante para a eficácia da ação.

            JOGABILIDADE

            Mais uma vez dividindo-se em três pilares de experiências completamente diferentes (Campanha, Multiplayer, Zombies), Call of Duty: Infinite Warfare consegue se manter um pacote incrivelmente variado – se não no escopo da própria franquia, ao menos no contexto de cada título.

            Desta vez, porém, mais do que nunca é mesmo a Campanha que mais se destaca.

            Com uma estrutura completamente nova no patamar da série, Infinite Warfare anula boa parte do sentimento de linearidade exacerbada que a franquia costuma provocar, dando lugar a uma campanha que chega até mesmo a oferecer missões secundárias para se fazer.

            Sendo uma espécie de hub, a nave Retribution serve para a manutenção das missões, equipamentos, leitura de inteligência, entre outras atividades. Permitindo que o jogador alterne entre a realização de missões primárias e secundárias, Infinite Warfare se ausenta da sensação de estar segurando a mão do jogador a todo momento.

            Se nas missões primárias, somos presentados com a grandeza e o espetáculo que viemos a esperar de Call of Duty – contando com algumas das melhores setpieces que a série já teve – nas secundárias realizamos atividades um pouco menos monumentais, como a invasão na surdina a naves inimigas ou impressionantes batalhas espaciais (e neste caso é difícil dizer que o espetáculo é reduzido…). Tais batalhas no espaço, por sinal (que também possuem presença durante as missões principais da história), são elegantemente encaixadas ao longo da campanha, possuindo o nível de profundidade ideal (nem tão complexas, mas nem tão banais também), servem como um elemento efetivo de controle de ritmo e variedade, além de sempre fornecerem também um espetáculo visual.

            Com uma variedade de momentos memoráveis, como as excelentes seções de combate em gravidade zero no espaço ou a transição ininterrupta entre as batalhas na superfície e os confrontos no espaço, a estrutura da campanha de Infinite Warfare acaba transparecendo quase que como um extenso plano-sequência, onde a finalização das missões e a volta à nave principal nunca são interrompidas por telas de loading ou afins (com tal fluxo sendo raramente retido pelas cutscenes).

            Se na campanha Infinite Warfare se mostra como o melhor exemplar de Call of Duty em anos (sendo provavelmente a melhor campanha desde o extraordinário Modern Warfare 2 em 2009), é uma pena constatar que no multiplayer a franquia insiste em jogar seguro, sem ousar tentar algo novo com o medo de perder público.

            Com uma estrutura que, particularmente desde Modern Warfare 3, parece querer focar cada vez mais no confronto frenético close-quarters (pequenos ambientes que favorecem a ação incessante), Call of Duty parece já ter perdido há muito qualquer senso de estratégia no modo online (o primeiro Black Ops foi o último game da série a oferecer uma aproximação metódica no multiplayer – sendo provavelmente também o ápice da franquia neste quesito). Desta forma, o multiplayer de Infinite Warfare continua a insistir no constante loop de matar-morrer em janelas de segundos, sem existir espaço para planejamento adequado de estilos de se jogar.

            Tal fato se torna especialmente decepcionante ao contrastar o modo com a campanha principal, da qual o multiplayer se recusa a tomar inspirações para diversificar as partidas – ignorando conceitos potencialmente interessantes como mapas com algum tipo de elemento que trabalhe confrontos em espaços sem gravidade, ou mesmo um possível modo de combate usando os moldes das batalhas espaciais da campanha.

            Dito isso, sendo Call of Duty, o multiplayer ainda se mantém como um modo indiscutivelmente divertido (ainda que carente de novidades), possibilitando a diversão em pequenas ou grandes doses, você sendo um jogador experiente ou não, com um sistema de progressão costumeiramente estimulante e fazendo uso das mecânicas de tiro em 1ª pessoa que simplesmente não ficam melhores do que em Call Of Duty.

            Fechando o “pacote”, o icônico modo Zombies volta em Infinite Warfare com aquela que é uma das mais divertidas iterações do componente – sendo possivelmente a melhor versão desde o clássico Kino Der Toten em Black Ops.

            Intitulado Zombies in Spaceland, quatro personagens são sugados para dentro da tela do mais novo filme de um diabólico cineasta de filmes de terror.

            Adotando uma atmosfera adorável vinda do Cinema de terror da década de 80, Zombies in Spaceland transparece uma personalidade vibrante: do visual cartunesco dos personagens, às músicas da época que podem ser ouvidas ao fundo, a até mesmo a própria ambientação, o modo Zombies não poderia se mostrar mais diferente da campanha ou do multiplayer competitivo de Infinite Warfare.

            APRESENTAÇÃO

            Apesar de ainda manter em uso o mesmo motor gráfico criado para o primeiro Modern Warfare em 2007, Infinite Warfare consegue demonstrar que o mesmo ainda está longe de se mostrar defasado no departamento gráfico – especialmente por que a Infinity Ward agora abandonou de vez as versões para a última geração de consoles.

            Evocando um visual mais que respeitável no âmbito da ficção-científica, Infinite Warfare ainda mantém em sua composição visual traços reconhecíveis, de maneira que sua apresentação futurista mantenha identidade, mas que não se distancia demais da realidade a ponto de provocar estranheza.

            Com uma variedade de locações esplêndidas, desde a superfície de Europa ou de Marte até as espetaculares batalhas espaciais que normalmente se ambientam logo acima da atmosfera dos planetas ou em meios a cinturões de asteroides, Infinite Warfare nunca falha em impressionar no departamento visual – valendo apontar também a qualidade na concepção das ocasionais cutscenes, que apesar de serem desnecessariamente pré-renderizadas (uma vez que os modelos in-game dos personagens já se mostram naturalmente bem feitos) são eficientes em aproximar o jogador dos personagens em momentos mais dramáticos da história.

            CONCLUSÃO

            Para uma franquia que já estava começando a exibir fortes traços de fadiga, Infinite Warfare consegue ser um surpreendente sinal de “ar fresco” para Call of Duty – ainda que mais em certas áreas do que outras.

            Com uma campanha fantástica, que consegue conferir peso emocional a seus personagens e seus dilemas – culminando em um final não só corajoso, mas inegavelmente eficiente do ponto de vista dramático – Call of Duty nunca foi tão interessante no empreendimento narrativo como aqui.

            Contando ainda com um multiplayer que – apesar de ser “mais do mesmo” e jogar seguro demais – ainda consegue ser fonte ilimitada de diversão, além do ótimo Zombies in Spaceland como cereja no topo do bolo, é difícil dizer que Infinite Warfare não valha a experiência.

            Analisando por fora da ótica da internet de odiar tudo aquilo que se torna mainstream, Call of Duty: Infinite Warfare é um jogo que merece a atenção – seja pelo apreço à franquia, ao gênero, ou simplesmente à ficção-científica moderna.