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CS:GO – Gabs: “Parece que os homens não se sentem à vontade com a nossa presença”

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Gabriela “gabs” Freindorfer. Foto: Pamellaueno

A  jogadora  Gabriela “gabs” Freindorfer,  que defende a TAG independente da More Than You, nos concedeu entrevista durante está semana. Entre os assuntos abordados, ela comenta sobre preconceito, estorvos encontrados por mulheres dentro e fora do jogo, além das dificuldades em conseguir patrocínio para as ir até as finais presenciais da ESWC, em Paris.

Fora dos servidores, ela ganhou destaque em Julho quando participou como analista da final do Major ESL One Cologne 2016, transmitido pelo canal Sportv.

Seu time, como já mencionado, busca arrecadação de verba através de doações via transmissões pessoais de suas jogadoras , mas também pode-se doar clicando aqui.

Confira a entrevista completa:

Gustavo | GCB   Quanto tempo você tem de CS?

Gabs  – 9 anos de 1.6 e 1 ano de CS:GO.

Gustavo | GCB – Quem é a Gabriela fora do servidor?

Gabs  – Tenho 20 anos e curso Curso Engenharia de Produção, na FEI.

Gustavo | GCB – Houve (ou há) resistência por parte da sua família, em relação a você ser uma jogadora profissional?

Gabs  –  Da minha família nunca houve resistência em relação ao jogo, no máximo em ficar muito tempo na frente do computador, dormir tarde e blábláblá… porém, hoje em dia é bem tranquilo.

Gustavo | GCB – Quando o CS:GO e as demais modalidades dos esportes eletrônicos ainda eram vistos com um hobby (para muitos, isso até meados de 2014), muitas mulheres e garotas já lutavam por um lugar no competitivo melhor para seu gênero. E hoje você, as mulheres do seu time, Pamela “Pannshi” Shibuya, CherryGumms (atleta de Rainbow Six Siege) servem de “norte” para outras garotas se juntarem a vocês nessa luta e, também, aumentar o número de competidoras profissionais. Como é ser esse um exemplo para muitas outras garotas e mulheres? E o que te motiva?

Gabs  –  Me sinto lisonjeada em ser um exemplo profissionalmente para alguém, pois já tive alguém a me espelhar também! O cenário feminino aqui no brasil não é nem um pouco grande, já lá fora é totalmente diferente. É isso que me motiva, saber que em algum lugar é grande, e que é questão de treino e muita dedicação para chegar lá. Como os times masculinos brasileiros que estão lá fora competindo, a maioria, incluindo o atual SK gaming, foi dependendo de “donate” em “streams” para arrecadar dinheiro para ir, conseguiram alcançar uma organização lá e alcançaram o topo.

Gustavo | GCB – A gente vê o cenário do eSports crescendo a passos largos, no Brasil e no mundo. Porém, não vemos muitos times formados por mulheres ascenderem, como é com as equipes masculinas. Por que você acha que isso acontece?

Gabs  –  Na minha opinião o cenário só está crescendo no Brasil agora, porque já é muito grande lá fora. Foi necessário time brasileiro se destacarem lá fora para que surgisse mais oportunidades no brasil. Infelizmente a maioria das organizações não apoiam muito o cenário feminino, e se apoiam, não dão a estrutura e o suporte necessário para que se destaque tanto em campeonatos nacionais quanto internacionais.

Gustavo | GCB – Essa não é a primeira vez que vocês vão jogar um campeonato internacional, houve a IEM Katowice em março deste ano e, até mesmo, as edições anteriores do ESWC. O que mudou para vocês de lá para cá, de bom e/ou ruim?

Gabs  –  Estamos muito mais focadas. Nosso plano inicial é conseguir ir com no mínimo duas semanas de antecedência para lá e fazer um bootcamp, ou seja, treinar contra os times lá de fora. Isso faz uma diferença enorme, praticamente todos os times masculinos que vão para fora fazem isso antes de jogar algum campeonato, e se tudo der certo, será a primeira vez que um time feminino brasileiro faz isso.mty-csgo

Gustavo | GCB – A poucas semanas, eu escrevi sobre o convite que o ESWC fez para vocês irem jogar o campeonato deles. Vi muitos comentários negativos, do tipo “não vai passar da primeira fase”, “mulheres nunca conseguiram os resultados obtidos por homens”, “sempre vão para fora e passam vergonha”. Como você encara esse tipo de comentário? E você acha que a comunidade Brasileira e mundial ainda é muito polar ao gênero que o atleta deve ser, ou seja, machista?

Gabs  –  Chega a ser engraçado esses tipos de comentários. E sim, com certeza é muito machista, desde a jogos que ganhamos ou perdemos, parece que os homens não se sentem à vontade com a nossa presença, ganhando então, é como se fosse uma ameaça ou vergonha para eles. Todas as “lines” femininas que chegaram a ir para os campeonatos internacionais não tiveram a preparação necessária, como citei anteriormente sobre o bootcamp. E volto a citar sobre o SK atual que na época era Luminosity Gaming, quando chegaram e jogaram, se eu não me engano foi o 16×0 para o Fnatic. Foi necessário foco, treinamento, dedicação e muito trabalho para que tornassem campeões e hoje em dia estão onde estão somente por todo esse esforço e focarem só nisso lá fora. As pessoas esquecem que lá fora 90% dos times tanto masculino quanto feminino moram em Gamehouse e tem estrutura o suficiente para focarem e serem bons.

Gustavo | GCB – Sobre a arrecadação de fundo para participar da ESWC: Vocês não receberam proposta para usar a TAG de alguma organização ou até mesmo de empresas do setor?

Gabs  –  Tivemos algumas reuniões sim com algumas organizações, mas nada que cubra o que precisamos, no caso a viagem. O nosso foco não é jogar APENAS no Brasil, e sim disputar campeonatos internacionais, também.

Gustavo | GCB  – Com o passar dos anos você acha que as mulheres podem ter estruturas iguais aos dos players homens, e viver do esporte eletrônico?

Gabs  –  Eu acredito que sim, não vemos a hora. Desde a estrutura, quanto a oportunidades. Espero que seja o mais breve possível.

E aí, concorda com as declarações da Gabs? Comente aí abaixo.

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  • Vatoslocos T.

    Acho que publico é o que move o e-sport e simplesmente não há publico (o sufuciente) para cs feminino, essa é a grande dificuldade pro crescimento de qualquer cenário, independente do jogo independente do sexo, verdade tem que ser dita a mulheres são menos favorecidas sim mas nesse caso é um pouco diferente e não consigo ver da forma que ela falou ai principalmente em e-sports onde a dificuldade com investimentos é maior ainda.. sinto que falta de audiência é o problema de fato

  • Lucas Spricigo

    Bela entrevista

  • cesaresperancin

    Parabéns gabs. Continua pensando deste modo que você tem futuro no cenário do CS:GO. Nunca desista dos seus sonhos.