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Análise – The Division

The Division

R$109,90
The Division
8.825

Ambientação

10/10

    Jogabilidade

    9/10

      Apresentação

      9/10

        Design

        9/10

          Pros

          • Ambientação sensacional
          • Mecanicamente consistente
          • Tiroteios divertidos e estratégicos
          • Horas e horas de conteúdo
          • Divertido solo e cooperativamente

          Cons

          • História principal fraca
          • Endgame não muito encorajador até o momento
          • Ocasional sensação de repetição

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          Por: Luigi Wagner

          Gênero que até há pouco tempo se limitava a um nicho, os MMOs (Massive Multiplayer Online) ganharam notável relevância mainstream nestes últimos anos. Exemplo maior recente talvez tenha sido o shooter da Bungie, Destiny, que, lançado há dois anos, combinava vertentes de design de um MMO RPG com mecânicas de um FPS tradicional.

          Dona de um arsenal impressionantemente extenso de propriedades intelectuais, com The Division, a Ubisoft mergulha pela primeira vez no gênero, novamente sob a base de um mundo inspirado pela literatura de Tom Clancy (assim como Rainbow Six, Ghost Recon, Splinter Cell e outros).

          HISTÓRIA

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          Durante a Black Friday, por meio de um vírus impregnado em notas bancárias, uma terrível epidemia se alastra pela cidade de Nova York.

          Matando milhões e assolando o caos total na cidade a ponto de colocar a ilha de Manhattan em quarentena, em The Division o jogador assume o papel de um agente dormente da organização governamental conhecida como A Divisão”.

          Os agentes de tal organização são responsáveis por garantir a ordem e neutralizar potenciais ameaças em situações emergenciais como esta.

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          Assim como qualquer MMO “que se preze”, The Division conta com uma estrutura narrativa perceptivelmente abstrata. Desde um personagem central mudo, até a ausência de uma conotação emocional a este e os “coadjuvantes” do mundo, The Division raramente faz esforço para que entendamos o que fazemos durante as várias missões de sua extensa campanha ou as motivações pessoais dos personagens envolvidos nesta.

          Dessa forma, se você procura uma história profunda ou envolvente que lhe mantém ansioso pelo próximo seguimento de trama, é difícil dizer que The Division satisfaça essas necessidades.

          Dito isso, não é como se o jogo fosse um fracasso narrativo. Pelo contrário: se o game peca por não contar uma história central que valha a atenção, o mesmo não pode ser dito pela história que seu mundo conta.

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          Seja através de diários de áudio que o jogador encontra pelo mundo, pequenos momentos de jogatina que ressaltam a atmosfera de desespero daquele universo, ou simplesmente pela ambientação excepcionalmente bem concebida, The Division é provavelmente o melhor exemplo demonstrativo de narrativa ambiental em um game em tempos recentes.

          Assim sendo, é impossível acusar o jogo de ser “vazio de alma”, quando desta forma conta pequenas histórias de forma muito mais eficaz e construtiva que várias e centradas tramas de outras obras por aí.

          Além do mais, é também preciso ao menos reconhecimento pela ideia de “fim do mundo” que o a história apresenta, saindo do lugar comum de “apocalipse zumbi” para uma ameaça mais embasada na realidade e, dessa forma, até mesmo temível para o mundo real, considerando a possibilidade de um desastre de tal magnitude realmente transcorrer um dia em nosso mundo.

          JOGABILIDADE

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          Sob a estrutura de um Third Person Shooter, The Division segue as regras mecânicas de um shooter que viemos a esperar do gênero.

          Com combates que envolvem praticamente entrar e sair de coberturas, para então atirar no momento apropriado, o jogo não faz necessariamente muito para quebrar as convenções do estilo no qual se encaixa. Dito isso, as mecânicas de tiro do game são respeitavelmente eficientes – e assim, (especialmente em dificuldades mais elevadas) os tiroteios podem, com relativa frequência, se tornarem notoriamente estressantes (no bom sentido), exigindo que o jogador utilize estratégias para se movimentar pelos cenários e atacar de forma apropriada.

          Tais situações de combate ganham contornos ainda mais interessantes durante as missões principais da história, que através de cenários e locações espertamente concebidos por um ótimo level design acabam sempre representando desafios interessantes para o jogador avançar nos tiroteios.

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          Fora da campanha principal, The Division também conta com uma imensidão de missões a parte para se fazer – estas que se dividem em missões paralelas e encontros.

          Normalmente estas não se distanciam dos tiroteios casuais, porém hora ou outra tais missões consistem em interessantes buscas por objetos ou pessoas perdidas que eficientemente encorajam a exploração dos formidáveis ambientes do mundo-aberto do jogo (que apesar de se limitar a ilha de Manhattan, acaba sendo praticamente uma recriação 1:1 do lugar – ou seja – imenso).

          Por se tratar de um RPG, The Division obviamente também conta com as características do gênero – e é interessante como o jogo não força a opção por uma classe específica ao início do game, mas lhe permite a customização de certas áreas à medida que o jogador evolui, podendo alterar estas quando bem entender (por mais que, depois de evoluídas certas habilidades, raramente me vi compelido a explorar outras áreas da árvore de skills).

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          Durante a travessia da principal parte do mundo-aberto do jogo – durante as missões principais, paralelas e os encontros – o jogador tem a opção de ser acompanhado por outras três pessoas/amigos em uma estrutura estritamente cooperativa para o cumprimento das missões. Porém, no centro do mapa encontra-se a Dark Zone (“Zona Cega”): área que representa o núcleo PvP de The Division, a Dark Zone é o local do mundo os se encontram os melhores equipamentos e armas do jogo (com recomendação mínima de level 30 para adentrar o local). A questão é que aqui, caso não haja a existência de uma cooperação advinda de um contrato moral estritamente verbal, é cada jogador por si.

          Dessa forma ao tentar extrair equipamentos da Dark Zone, um outro jogador pode optar por lhe ajudar a extrair ou simplesmente lhe atacar e roubar sua coleta (o que atribuirá a ele o status de “rogue” (ou fugitivo)).

          Assim, a Dark Zone pode trazer alguns dos momentos mais tensos da experiência de The Division, obrigando o estabelecimento de uma espécie de código ético entre os jogadores, o que é particularmente fascinante.

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          Apesar disso, é difícil se manter compelido a jogar por muito tempo após atingir o level 30 (endgame) ou se arriscar a perambular pela Dark Zone simplesmente em busca de equipamentos melhores.

          De qualquer forma, no fim das contas, uma coisa é inegável: The Division pode representar um dos experimentos cooperativos mais interessantes dos últimos anos – assim como proporcionar uma experiência solo surpreendentemente embasada para quem preferir abordar as missões como um lobo solitário.

          APRESENTAÇÃO

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          Ainda que talvez não represente toda aquela beleza técnica mostrada na primeira demonstração do jogo em 2013, The Division não deixa de ser um jogo bonito.

          Rodando sob o Snowdrop Engine, motor gráfico concebido especificamente para o game, o jogo constantemente impressiona pela quantidade de detalhes nos ambientes: panfletos jogados pelas ruas, paredes descascadas, vidros quebrados, lugares destruídos, até a neve caindo sobre os carros – a quantidade de detalhes é tão imensa que nunca falha a impressionar.

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          Da mesma forma, é impossível não exaltar o trabalho de direção de arte do jogo, que de forma fenomenal passa a atmosfera de desolação daquela Nova York – e é fascinante como cada apartamento ou interior de uma locação do jogo conta uma história por si só, muitas vezes sem ao menos necessitar de palavras.

          CONCLUSÃO

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          Entre as várias recentes empreitadas da Ubisoft, The Division é provavelmente aquela que executa com maior sucesso aquilo que propõe.

          Acertando bem mais em conceber um universo interessante do que, por exemplo, Destiny conseguiu em sua aposta no gênero de MMOs RPG, The Division acaba sendo não só interessante em termos técnicos, mecânicos e de design – mas também como uma obra que faz questão de estabelecer uma coerência visual-narrativa para seu mundo.

          Adentrando sozinho ou cooperativamente, a Nova York apresentada em The Division pode facilmente representar uma experiência muitas vezes impressionante, além de proporcionar com facilidade horas e horas de diversão para quem procura.