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Top 5 – Jogos mais subestimados da última geração

Por: Luigi Wagner

Agora que chegamos ao “simbólico” fim da geração PS3/Xbox 360, é normal olhar para trás e relembrar quais foram os jogos que mais marcaram a geração de uma forma geral. 

Obras como The Last of UsJourneyRed Dead Redemption e Bioshock são exemplos de games que felizmente tiveram o reconhecimento (tanto de público, como de crítica) que mereciam.
No entanto, durante estes longos dez anos que esta 7ª geração de consoles durou, houveram também aqueles jogos que, apesar de excelentes, não receberam a devida atenção que mereciam, seja no quesito de sucesso comercial ou crítico.
Assim, se você pretende completar sua coleção de jogos antes de se juntar a nova geração de videogames e está na dúvida sobre quais pérolas podem ter passado despercebidas, conheça agora os 5 games mais subestimados da era Playstation 3 e Xbox 360:
5-Enslaved: Odyssey to the West
Lançado em outubro de 2010 pela veterana do hack n´slash, Ninja TheoryEnslaved: Odyssey to the West nos apresentava uma pegada “alternativa” em um antigo livro chinês chamado Journey to the West (título em inglês).
A história, situada em um futuro distante em que a civilização sucumbiu ao domínio das máquinas, nos apresentava o protagonista apelidado de “Monkey” que, devido a certas “circunstâncias”, é obrigado a transportar a jovem Trip de volta a sua vila, protegendo-a de quaisquer perigos que encontrarem no caminho.
Os dois personagens principais talvez sejam os maiores trunfos de EnslavedMonkey, interpretado pelo sempre excelente Andy Serkis (o Gollum da série de filmes O Senhor dos Anéis), se mostra como um protagonista sempre carismático, ainda que pareça apenas “carrancudo” inicialmente, à medida que a bela Trip (Lindsey Shaw), também apresentando inegável carisma, conquista rapidamente o coração do jogador com sua inteligência e, ao mesmo tempo, ingenuidade.
Além de visuais (destaque para as excelentes animações faciais) e paisagens incríveis que o jogo reforça com sua direção de arte única, Enslaved ainda apresentava um sistema de combate divertido e relativamente customizável, com uma diversidade de combos a serem combinados durante as batalhas. 
Se você curte um bom hack n´slash e histórias com personagens memoráveis, Enslaved: Odyssey to the West é uma excelente pedida.
4-RAGE
Desenvolvido pelos “pais” do gênero FPS, id Software, e publicado pela Bethesda Softworks, Rage foi lançado em 2011 para Playstation 3, Xbox 360 e PC.

Rage é um daqueles jogos que apesar de obviamente não aproveitar todo o potencial do universo que nos apresenta, consegue se destacar por conta de suas mecânicas extremamente sólidas e concisas que proporcionam momentos inegáveis de diversão ao jogador.
Combinando combates na perspectiva first-person da melhor qualidade, com visuais insanos, o game ainda apresentava um mundo aberto (apesar de limitado) e alguns sistemas típicos de RPG na jogabilidade, dando uma relativa dose de variedade à experiência como um geral.
Ainda que possua um dos piores finais em um jogo em memória recente (impossível ser mais anti-climático), RAGE é um excelente exemplo do gênero FPS que entretém durante a maior parte do tempo. 
Fico a espera de que a id Software venha a explorar mais este universo em alguma possível sequência no futuro.
3-Spec Ops: The Line
Spec Ops: The Line é sem dúvida alguma o shooter militar que mais tem algo a dizer sobre o tema da guerra já lançado até hoje. E considerando que o mercado é povoado por jogos do gênero, esta é uma afirmação e tanto. 
Lançado em 2012, em uma época em que Call of Dutys e Battlefields da vida dominavam a esfera de shooters militares, Spec Ops: The Line conseguiu se destacar por apresentar uma narrativa absurdamente tensa, atmosférica, brutal e pessoal, que ao mesmo tempo servia como uma meta-narrativa sobre o próprio ato de se jogar videogame (simplesmente GENIAL).
Com um protagonista fascinante, interpretado pelo mestre Nolan North (Nathan Drake, da série Uncharted) em uma de suas melhores atuações até hoje, a jornada de Martin Walker levava o jogador a lugares muito mais sombrios do que é de se esperar de jogos do gênero.

The Line é um dos raríssimos exemplos de jogos que te levam a realmente questionar suas ações durante a jogatina, chegando ao ponto de você não só questionar a moralidade de seu protagonista, mas também a própria sanidade do mesmo.

Eu poderia escrever um texto imenso sobre todas as discussões que Spec Ops: The Line traz a tona ao chegarmos à sua mindfucking conclusão (as sequências de mortars de Call of Duty nunca mais serão as mesmas…), mas como aqui não há espaço para tal, posso apenas recomendar com veemência este título, que apesar de lhe fazer sentir-se estranhamente culpado ao jogar, não deixa de ser uma experiência única em uma indústria saturada por jogos do gênero.
2-Castlevania: Lords of Shadow

Recomeçar uma das maiores franquias da história dos videogames é uma das mais arriscadas ideias que uma produtora pode ter. Quando se trata de Castlevania então…bem, é bom que se faça direito. 

Felizmente, com Lords of Shadow, a desenvolvedora Mercury Steam não só fez um excelente Castlevania, mas como também um afinado hack n´slash da atualidade.
Sendo basicamente o único jogo da série até hoje a se aventurar na perspectiva 3D e obter sucesso, LOS tinha uma fórmula de combates basicamente copiada da série da SonyGod of War, com seções espaçadas envolvendo “chefões” reminiscentes dos Colossus de Shadow of the Colossus, com outras também envolvendo relativa exploração dos cenários.
A falta de originalidade pode ser um contra-argumento legítimo quando se discutindo os méritos do game. Porém, a verdade é que, na maior parte do tempo, tudo funciona muito bem. As mecânicas são extremamente concisas, brutais e eficientes, e os chefões, em sua maioria, também são especialmente divertidos de se enfrentar.

A história, que apesar de se perder um pouco no segundo ato (as partes na floresta da bruxa se arrastam),também é um ponto alto do jogo. O arco dramático pessoal de Gabriel Belmont é eficiente ao mostrar o protagonista sucumbir lentamente às trevas que o rodeia em uma cruzada inicialmente inspirada por amor. 

Para completar, a trilha sonora e a direção artística gótica que fazem o mundo de Lords of Shadow também são magníficas, e só ressaltam o clima épico do jogo.
Apesar da falta de originalidade, Castlevania: Lords of Shadow não deixa de ser uma excelente e afinada aventura, ao mesmo tempo, conseguindo ser também um honroso título Castlevania.

1- Mirror´s Edge

Mirror´s Edge já é um cult dos videogames para aqueles que o jogaram.
Trazendo um frescor ao gênero dos jogos em 1ª Pessoa, o game tinha como centro o deslocamento baseado no famoso esporte parkour. 
A agilidade está na alma de Mirror´s Edge, e o fato do game se focar justamente nesta, ao invés do combate genérico dos First Person Shooters, é o que torna esta subestimada pérola uma das mais únicas atrações da geração passada.
A urgência que o game consegue passar através da ação “momento-a-momento” é especialmente interessante. A movimentação da protagonista Faith pelo cenário não só é extremamente fluída, como também passa a ser divertidamente intuitiva meros minutos depois de se ter começado a jogar.
Assim, como RAGEMirror´s Edge também fez pouco aproveitamento do universo que apresentava. Sendo visualmente deslumbrante (até para os parâmetros de hoje), a direção de arte chamativa se destaca pelos constantes tons de vermelho ressaltados pelo cenário, contrapostos com prédios claros modernos e envidraçados, fazendo da “utópica” cidade do game um atrativo visual inegável. O mundo, porém, nos apresenta uma trama política que infelizmente nunca é devidamente explorada e acaba sendo demasiada genérica. O mesmo serve para seus personagens que, durante toda a história, em nada se destacam.
Ainda assim, em seu centro, Mirror´s Edge funciona extraordinariamente bem devido à fluidez de sua jogabilidade. E se todo o potencial da franquia não foi explorado neste primeiro game, felizmente a DICE e a EA Games já vem preparando um novo jogo destinado a sair para os consoles da nova geração no início do próximo ano (Mirror’s Edge: Catalyst).
Mal posso esperar para ver Mirror’s Edge atingir seu potencial máximo com o poder do Playstation 4 e Xbox One.