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Dica Gamer da Semana #12 – L.A. Noire

Desenvolvido pela Team Bondi em colaboração com a Rockstar Games, L.A. Noire, lançado em maio de 2011, trazia consigo a promessa de ser um jogo único no âmbito dos games, fosse em termos de mecânicas, tecnologia ou narrativa.

Tendo sido bem recebido mundialmente, tanto pela crítica especializada, como pelo público (o jogo foi o IP novo mais bem vendido do ano), L.A. Noire é definitivamente um jogo que continua até hoje como algo singular no espectro dos jogos AAA.

Se passando em uma Los Angeles do ano de 1947, L.A. Noire possui a essência dos filmes noir entranhados em seu mundo, narrativa e personagens.

Caso o termo não lhe seja familiar, a “estética” noir é um estilo visual e narrativo que habitou grande parte das histórias de investigação no Cinema, em especial na década de 40 e 50. Caracterizadas por apresentarem universos constantemente mergulhados nas sombras, obscuros pela criminalidade e ambiguidade moral e pessoal, as histórias noir se destacam pela violência brutal e inata que parece habitar o mundo que retratam.

Esta estética noir está na essência central de L.A. Noire.

Na história, acompanhamos o veterano Cole Phelps, que recém-chegado da guerra, volta à sociedade com a meta de se tornar alguém de relevância na LAPD (Departamento Policial de Los Angeles).

Começando apenas como um policial de rua, Phelps vai ganhando notoriedade, passando pela divisão de crimes relacionados a mortes no trânsito, para a divisão de Homicídios para, então, a divisão do Narcotráfico.

Cada divisão acompanha um lado criminoso peculiar da grande Los Angeles dos anos 40. Quando Phelps se torna detetive da divisão de Homicídio então é que L.A. Noire mais demonstra sua natureza noir. Neste ponto da história, chegamos a acompanhar a trilha de um macabro serial killer que aterroriza LA, com direito a perversas pistas deixadas pelo caminho e tudo mais, rendendo alguns dos melhores momentos e investigações do game.

Para tais investigações, L.A. Noire apresenta um esquema interessante de “depuração” dos crimes. Rodamos o extenso mundo aberto do jogo, indo aos locais dos crimes, onde então podemos investigar qualquer detalhe da cena a procura de pistas para o caso. Depois de algumas pistas em mãos então, Phelps pode interrogar qualquer pessoa que seja de interesse para a investigação.

Para estes interrogatórios, L.A. Noire introduz um inovador e impressionante sistema de captura de expressões faciais. A tecnologia MotioScan, com 32 câmeras de alta definição focadas na face dos atores, captura todo e qualquer detalhe no rosto destes, trazendo uma realidade verossímil e imprescindível para o jogador poder determinar se o interrogado pode estar mentindo ou não, seja através de olhares, franzir de testa, desvio de olhar ou qualquer expressão, por mais sutil que esta seja.

Entre as investigações, ocasionalmente também existem tiroteios ou perseguições de carro ou a pé. Estes são uma forma eficiente de variar e agitar o (às vezes lento) ritmo do jogo.

Interpretado pelo excelente Aaron Staton (o carismático Ken Cosgrove da série MAD MEN), Cole Phelps é um dos protagonistas mais interessantes, complexos e ambíguos a já aparecer em um game até hoje. Revivendo constantemente os traumas que a guerra o causou, Phelps luta para encontrar paz interior diante de suas ações no passado, fazendo de tudo para se apresentar como um “mocinho” honrado em sua posição, ainda que tenha sua competência corrompida justamente por isso.

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O arco de Phelps é conduzido de forma magistral pelo roteiro, culminando naquele que, pessoalmente, acho ser um dos mais trágicos e tocantes finais em um jogo até hoje (lágrimas másculas podem ser derrubadas, já aviso).

L.A. Noire ainda possui aquele que é um dos mundos-abertos mais cuidadosamente e belamente já criados até hoje (ainda que seja notavelmente vazio de atividades para se fazer). A direção de Arte com a qual a Los Angeles do jogo é concebida é de deixar sem palavras. Desde os prédios, aos carros, vestimentas e tecnologia, o mundo do jogo é tão perfeitamente estabelecido, que a sensação que temos é de estarmos realmente habitando a metrópole californiana nos anos 40.

Contando ainda com uma fenomenal trilha-sonora, digna dos melhores filmes noirs por ai, com saxofones, violinos e tudo que o gênero requer, L.A. Noire faz um trabalho impecável em estabelecer lugar, tempo e narrativa de seu contexto, imergindo o jogador em uma verdadeira viagem de época.

L.A. Noire é um game singular e uma experiência única que merece ser conhecida se você tem um mínimo de interesse, seja em jogos de ação/investigação, histórias de mistério ou se você for um fã da estética noir. Se você ainda não jogou, as chances são de que você tenha perdido uma das mais cativantes obras da Rockstar dos últimos anos.

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