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O Kickstarter e o mercado (desleal)

Por: Neto

O Kickstarter é um plataforma – de sucesso – de crowfunding para o financiamento de dos mais diversos produtos, protótipos, filmes, documentários até aos nossos amados jogos. Desde o seu surgimento em 2008 até os presente vemos esse modelo de financiamento coletivo crescer e ganhar popularidade.

O financiamento coletivo acabou por se tornar uma forma de pessoas comuns, que produzem os mais diversos de conteúdos e produtos, terem seus negócios realizados. Porém o quadro da situação atual no Kickstarter é um pouco mais complexo do que isso, Ao analisarmos os dados de jogos que são realmente entregues temos um quadro assustador e triste, como essa pesquisa da UnSub demonstra:

Basicamente apenas 1 em cada 3 projetos entrega definitivamente os projetos como foi prometido aos seus apoiadores, e não apenas isso, comparado ao segundo ano de existência do kickstarter esse número caiu quase que pela metade. Porém os números de arrecadações no Kickstarter continuam a aumentar.

Mas onde eu pretendo chegar com isso? Muito simples caro leitor, nestas ultimas semanas tivemos o enorme sucesso que foi a campanha do Bloodstained: Ritual of the Night, sucessor espiritual de Castlevania que tem como desenvolvedor o praticamente pai da franquia Koji Igarashi. Em menos de 24 horas ele conseguiu arrecadar cerca de 1,4 milhões de dólares.

Onde está o problema nisso? Basicamente Igarashi já trabalha para um publisher estabelecida no mercado no mercado e ao invés de “simplesmente fazer um jogo e ver qual é” ele decidiu arrecadar uma parte do dinheiro de apoiadores e complementar com o dinheiro da Publisher para desse modo testar a receptividade do público, diminuir o custo do jogo e gerar um buzz para um jogo.

“E onde está o problema nisso Neto?”

Obviamente que isso não vai contra as regras do Kickstarter, porém ele fere um dos principais motivos da criação do Kickstarter que é ser uma plataforma de apoiadores de projetos pessoais e que não encontram apoiadores na industria tradicional. Para cada Igarashi, temos centenas se não milhares de desenvolvedores e projetos que perdem a chance a visibilidade por conta de um desenvolvedor e de uma publisher que poderia lançar o jogo sem necessitar de apoio “popular”.

Não apenas o Igarashi, também tivemos recentemente o caso de Playtonic com Yooka-Laylee, o sucessor espiritual de Banzoo-Kazooie que bateu a sua meta em 40 minutos. Será o futuro do kickstater? Ele irá se tornar uma plataforma onde pequenos projetos são abandonados antes do fim, publishers diminuem os riscos de investimentos ao receber investimentos diretos e vemos desenvolvedores do passado trazerem a tona eternos “sucessores espirituais” de franquias antigas?

Me parece um fim muito torpe para um plataforma que surgiu justamente para o financiamento de pequenos ideias, e por que não dizer, sonhos.