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Dica Gamer da Semana #8 – Grand Theft Auto IV

Quando uma franquia está há muitos anos no mercado e esta
já é amplamente conhecida, é fácil e natural que a ultima iteração/edição desta
seja reconhecida como a edição definitiva da mesma, afinal de contas, a ultima
edição é sempre, indubitavelmente, a mais evoluída, pelo menos do ponto de
vista tecnológico, isto é.
Ainda assim, jogos que são inerentemente excelentes não
tem seu legado ofuscado nem mesmo pelos seus parentes “mais novos”.
Este é o caso de Grand Theft Auto IV (GTA IV).
Lançado em 2008 para o Playstation 3 e Xbox 360 (e mais
tarde, para o PC), GTA IV, agora, sete anos após seu lançamento, continua como
uma das mais ricas, divertidas e eficientes obras da última década no âmbito
dos jogos de mundo aberto (ou qualquer âmbito dos games, para falar a verdade).
Acompanhando a história do imigrante russo Niko Bellic,
recém-chegado em Liberty City (leia-se Nova York) em busca do utópico “Sonho
Americano”, a narrativa de GTA IV é uma das mais bem orquestradas e realizadas em um jogo de mundo aberto até hoje.
Transitando de forma eficientíssima entre o humor negro
pelo qual a série é conhecida e o violento mundo dos personagens aos quais
somos introduzidos, GTA IV apresenta aquela que é provavelmente a trama mais scorsesiana da série, transmitindo uma vibe Bons Companheiros/Os Infiltrados/O
Lobo de Wall Street
a todo o momento, seja pelo teor da violência que é
apresentado ou pelo tipo de humor dos diálogos característicos dos filmes de
Martin Scorsese.
Niko Bellic, diga-se de passagem, também é, não só o
protagonista mais interessante e complexo que a série já teve até hoje, como
também possui um dos arcos dramáticos mais eficientes que a Rockstar Games
concebeu, sendo rivalizado apenas pelo de John Marston, no belíssimo Red Dead
Redemption
 e o de Cole Phelps no excelente L.A. Noire.
“Fugindo” de um passado de violência apenas para se
adequar a uma vida enraizada no violento submundo do crime de Liberty City, Niko
Bellic é um personagem que, ao mesmo tempo em que comete ações reprováveis do
ponto de vista moral, consegue empatia do jogador devido ao seu carisma
natural e motivações “compreensíveis”.
Parte disso se deve a incrível performance de Michael
Hollick
, que encarna o protagonista de forma fenomenal, variando de forma surpreendentemente
eficiente entre o seu “sarcasmo inerente”, preocupação com as pessoas queridas
ao redor e a violência inata do indivíduo. Vale mencionar também o excelente
elenco coadjuvante, que em toda a sua extensão complementa o mundo e o tom da
história de forma eficaz.
A Liberty City de Grand Theft Auto IV também merece
aplausos por sua concepção. Passando perfeitamente a vibe nova-iorquina que os criadores pretendiam, a metrópole consegue,
ao mesmo tempo, aparentar contemporânea e satirizar a sociedade que retrata.
Com o histórico de criação de mundos da Rockstar Games, nada disso é surpresa,
e Liberty City continua, até hoje, como um dos mundos-abertos mais vibrantes
apresentados em um jogo.
A campanha de GTA IV também é indubitavelmente uma das
melhores que a série já teve, com destaque para a espetacular missão Three Leaf Clover, que transcorre um
intenso tiroteio durante um assalto a banco no melhor estilo Fogo Contra Fogo
(a missão inclusive foi a base para toda a concepção dos heists apresentados em GTA V).
Apesar de GTA V ter melhorado sobre GTA IV em quase todos
os aspectos técnicos e mecânicos, Grand Theft Auto IV é, até hoje, uma pérola
que vale a pena ser conferida caso você ainda não tenha jogado. E por mais bem
espaçada e ritmada que a história de Michael, Franklin e Trevor seja, esta, em
valor narrativo, ainda é deixada no chinelo pela jornada de Niko Bellic.
(OBS.: GTA IV também contou com duas expansões excepcionais,
The Lost and Damned e The Ballad of Gay Tony, sobre as quais falaremos um pouco
mais no Top 5 desta semana (na quinta-feira), que trará as cinco melhores expansões/DLCs
realizadas até hoje. Não deixe de conferir!)